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Geração Distribuída em Minas Gerais: Guia Completo 2026

Minas Gerais é o segundo estado do Brasil em geração distribuída, com 5,7 GW instalados e mais de R$ 83 bilhões em investimentos privados no setor solar. Com a Lei 14.300/2022 e a cobrança progressiva do Fio B, entender as regras é essencial para quem quer instalar painéis solares e reduzir a conta de luz em 2026.

14 de abril de 2026 6 min de leitura Por Redação Minha Conta de Luz

Principais pontos

  • Minas Gerais: Líder Nacional em Geração Distribuída Solar
  • O que é Geração Distribuída e Como Funciona?
  • Marco Legal da Geração Distribuída: Lei 14.300/2022
  • Microgeração e Minigeração: Quais São os Limites?
  • Crescimento Nacional e Impacto no Sistema Elétrico
Geração Distribuída em Minas Gerais: Guia Completo 2026

Minas Gerais: Líder Nacional em Geração Distribuída Solar

Minas Gerais consolidou-se como um dos maiores polos de geração distribuída (GD) do Brasil. Em março de 2026, o estado atingiu a marca de 14,36 GW de capacidade solar total instalada — superando a potência da Usina de Itaipu (14 GW) e equivalendo à capacidade elétrica de mais de 170 países. Em geração distribuída especificamente, Minas ocupa o segundo lugar nacional com 5,7 GW, atrás apenas de São Paulo.

Esse crescimento expressivo foi impulsionado por iniciativas como o programa Sol de Minas e por mais de R$ 83,1 bilhões em investimentos privados atraídos ao setor solar desde 2019, gerando 7.700 empregos diretos. Em 2025, foram inauguradas novas usinas fotovoltaicas, como a planta em Arinos (Noroeste de Minas), com investimento de R$ 1,42 bilhão, e a Usina Fotovoltaica Vale do Aço I, em Engenheiro Caldas, financiada pelo BDMG.

O que é Geração Distribuída e Como Funciona?

A geração distribuída é a produção de energia elétrica pelo próprio consumidor, geralmente por meio de painéis solares fotovoltaicos instalados em residências, comércios, indústrias ou propriedades rurais. O excedente de energia gerado é injetado na rede da distribuidora local e gera créditos de energia que podem ser usados para abater o consumo em meses seguintes.

Esse mecanismo é regulado pelo Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE), que funciona assim:

  • Um medidor bidirecional registra tanto a energia consumida quanto a injetada na rede.
  • A conta de luz reflete o consumo líquido (consumido menos injetado) e os créditos acumulados.
  • Os créditos têm validade de 60 meses e podem ser transferidos para outras unidades consumidoras do mesmo titular, dentro da mesma área de concessão.
  • As bandeiras tarifárias incidem apenas sobre o consumo faturado, não sobre a energia compensada.

A Lei 14.300/2022, sancionada em janeiro de 2022, é o principal instrumento regulatório da geração distribuída no Brasil. Ela substituiu as resoluções anteriores da ANEEL (REN 482/2012 e REN 687/2015) e trouxe mudanças importantes, especialmente para novos consumidores que instalam sistemas após janeiro de 2023.

Direito Adquirido: Quem Instalou Antes de Janeiro de 2023

Consumidores que instalaram seus sistemas ou protocolaram solicitação de acesso à rede até 7 de janeiro de 2023 (chamados de GD I) mantêm a isenção total do pagamento das tarifas de uso da rede até 31 de dezembro de 2045. Esse é o chamado "direito adquirido" — uma garantia de segurança jurídica para os primeiros adotantes da tecnologia.

Novos Consumidores: A Cobrança Progressiva do Fio B

Para quem instalou sistemas após 8 de janeiro de 2023, a Lei 14.300 introduziu a cobrança gradual do Fio B — a parcela da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) que remunera a distribuidora pela operação da infraestrutura local. O escalonamento é o seguinte:

  • 2023: 15% do Fio B
  • 2024: 30% do Fio B
  • 2025: 45% do Fio B
  • 2026: 60% do Fio B
  • 2027: 75% do Fio B
  • 2028: 90% do Fio B
  • A partir de 2029: novas regras definidas pela ANEEL

Isso significa que, em 2026, quem instalou painéis solares após janeiro de 2023 paga 60% da tarifa de uso da rede sobre a energia compensada. Apesar dessa cobrança, o investimento em energia solar continua vantajoso, com payback médio de 4 a 5 anos e vida útil dos sistemas superior a 25 anos.

Microgeração e Minigeração: Quais São os Limites?

A Lei 14.300/2022 também definiu os limites de potência para cada modalidade:

  • Microgeração distribuída: sistemas com potência instalada de até 75 kW — ideal para residências e pequenos comércios.
  • Minigeração distribuída: sistemas entre 75 kW e 3 MW para fontes não despacháveis (como solar fotovoltaica) — voltada para médias e grandes empresas, condomínios e propriedades rurais.

Para minigeradores acima de 500 kW em autoconsumo remoto ou geração compartilhada (quando um único titular detém 25% ou mais dos créditos), aplica-se adicionalmente 40% do Fio A e 100% das tarifas de fiscalização, pesquisa e desenvolvimento (TFSEE e P&D).

Crescimento Nacional e Impacto no Sistema Elétrico

O Brasil encerrou janeiro de 2026 com mais de 44 GW de capacidade instalada em geração distribuída, distribuídos em 3,9 milhões de unidades em 5.565 municípios. A energia solar fotovoltaica representa cerca de 99% dessa capacidade. A ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída) projeta que o país pode atingir 50 GW em 2026, com crescimento de 15% sobre o ano anterior.

Esse crescimento acelerado, porém, traz desafios para o sistema elétrico:

  • Subsídios crescentes: Segundo a ANEEL, o custo dos subsídios à geração distribuída atingiu R$ 16 bilhões em 2025, tornando-se o maior subsídio do setor elétrico brasileiro.
  • Impactos na rede: A redução drástica de carga durante o dia, instabilidades de tensão e fluxos reversos exigem investimentos crescentes nas redes de distribuição.
  • Curtailment potencial: Em regiões com alta penetração solar, pode ser necessário limitar a injeção de energia na rede em horários de pico de geração.

Vale a Pena Instalar Energia Solar em Minas Gerais em 2026?

Apesar das mudanças regulatórias, a resposta é sim para a maioria dos perfis de consumo. Minas Gerais tem alta irradiação solar, especialmente no norte e noroeste do estado, e as tarifas da CEMIG (distribuidora local) tornam o retorno do investimento atrativo. Veja os principais benefícios:

  • Redução de até 95% na conta de luz para sistemas bem dimensionados.
  • Proteção contra reajustes tarifários — a geração própria isola o consumidor das variações das bandeiras tarifárias.
  • Incentivos fiscais: isenção de ICMS sobre a energia compensada em Minas Gerais, além de PIS/Cofins com alíquota zero sobre a energia injetada.
  • Linhas de financiamento: BDMG, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e bancos privados oferecem crédito específico para sistemas fotovoltaicos.

Geração Compartilhada: Uma Alternativa para Quem Não Tem Telhado

Para consumidores que não têm espaço físico para instalar painéis — como moradores de apartamentos — a geração compartilhada é uma alternativa regulamentada pela Lei 14.300. Nessa modalidade, um grupo de consumidores se associa para construir ou contratar uma usina solar coletiva, e os créditos são distribuídos proporcionalmente entre os participantes. Outra opção é a energia solar por assinatura, em que o consumidor assina um plano e recebe créditos de uma fazenda solar sem precisar investir em equipamentos.

Conclusão

Minas Gerais está na vanguarda da geração distribuída no Brasil, com um mercado maduro, infraestrutura consolidada e perspectivas de crescimento contínuo. Para o consumidor mineiro, entender as regras da Lei 14.300/2022, o escalonamento do Fio B e as modalidades disponíveis é o primeiro passo para tomar uma decisão informada sobre a instalação de energia solar. Com planejamento adequado, a geração distribuída segue sendo um dos melhores investimentos para reduzir a conta de luz e contribuir com a transição energética do Brasil.

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Fontes oficiais e referências

Este conteúdo foi elaborado com base em dados e normas publicados pelos órgãos oficiais do setor elétrico brasileiro. Consulte as fontes primárias:

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Escrito por

Redação Minha Conta de Luz

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