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Energia Eólica e Renovável em Mato Grosso: Cenário 2026

Mato Grosso possui uma das matrizes elétricas mais limpas do Brasil, com 92% de fontes renováveis, mas enfrenta desafios de infraestrutura para integrar a expansão solar e eólica. Conheça os projetos em andamento, os investimentos da Energisa e as perspectivas para o setor energético do estado em 2026.

03 de agosto de 2026 4 min de leitura Equipe Minha Conta de Luz

Principais pontos

  • Energia Eólica e Renovável em Mato Grosso: Um Estado na Vanguarda da Transição Energética
  • A Matriz Elétrica de Mato Grosso em 2026
  • Investimentos da Energisa em Mato Grosso
  • Perspectivas para a Energia Eólica em Mato Grosso
  • Bioenergia: O Diferencial do Agronegócio Mato-Grossense

Energia Eólica e Renovável em Mato Grosso: Um Estado na Vanguarda da Transição Energética

Mato Grosso ocupa uma posição de destaque no cenário energético brasileiro. Com uma matriz elétrica composta por aproximadamente 92% de fontes renováveis, o estado é um dos mais limpos do país em termos de geração de energia. Em 2026, o setor energético mato-grossense vive um momento de expansão acelerada, mas também de desafios significativos relacionados à infraestrutura de transmissão e à integração das novas fontes renováveis ao sistema nacional.

Embora a energia eólica ainda não seja a principal fonte do estado — diferentemente do Nordeste brasileiro, onde os ventos são mais constantes e intensos —, Mato Grosso avança em diversas frentes renováveis que moldam o futuro energético da região.

A Matriz Elétrica de Mato Grosso em 2026

A composição da matriz elétrica de Mato Grosso em 2026 reflete décadas de investimento em fontes limpas. As principais fontes de geração no estado incluem:

  • Energia solar fotovoltaica: Tornou-se a principal aposta para expansão futura, com mais de 197 mil plantas fotovoltaicas instaladas até meados de 2025, superando o consumo interno do estado.
  • Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e CGHs: Fontes tradicionais de energia firme que complementam a intermitência solar.
  • Biomassa e biogás: O agronegócio mato-grossense gera resíduos que alimentam usinas de biomassa, aproveitando a vocação agrícola do estado.
  • Energia eólica: Ainda em desenvolvimento no estado, com potencial a ser explorado em regiões específicas do Mato Grosso.

Essa diversificação coloca Mato Grosso em posição privilegiada frente à transição energética global, mas também exige planejamento cuidadoso para evitar gargalos no sistema de transmissão.

O Desafio da Transmissão Solar em Mato Grosso

O crescimento acelerado da geração solar distribuída criou um paradoxo em Mato Grosso: o estado produz mais energia solar do que consome, mas não consegue exportar todo esse excedente para outras regiões do país. A infraestrutura de transmissão — que pode levar até sete anos para ser planejada e operacionalizada — não acompanhou o ritmo de instalação dos painéis fotovoltaicos.

Como resultado, a ANEEL e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) identificaram gargalos técnicos que levaram à restrição temporária de novas conexões para miniusinas solares de médio porte. O estado investe em estudos para reforçar as linhas de transmissão de 500 kV e 230 kV, com o objetivo de aumentar em aproximadamente 1.000 megawatts a capacidade de exportação de energia.

Investimentos da Energisa em Mato Grosso

A distribuidora Energisa, concessionária responsável pela distribuição de energia em Mato Grosso, anunciou um plano de investimentos robusto para os próximos anos. Após a renovação de sua concessão por 30 anos, a empresa comprometeu-se a investir R$ 9,5 bilhões ao longo dos próximos quatro anos. Os recursos serão destinados a:

  • Expansão das redes trifásicas para atender indústrias e agroindústrias
  • Construção de novas subestações de energia
  • Melhoria da qualidade do fornecimento e redução de interrupções
  • Integração de novas fontes renováveis ao sistema de distribuição

Programa MT Trifásico

Um dos projetos mais relevantes para o setor energético mato-grossense é o Programa MT Trifásico, uma parceria estratégica entre o Governo do Estado e a Energisa. O programa prevê um investimento total de R$ 1,4 bilhão — R$ 700 milhões de cada parte — para expandir a rede trifásica em regiões rurais e industriais do estado. A energia trifásica é essencial para o funcionamento de equipamentos industriais e agroindústrias, sendo um requisito básico para a competitividade do agronegócio mato-grossense.

O objetivo do programa é viabilizar a industrialização do estado sem onerar as tarifas dos consumidores residenciais, distribuindo os custos de infraestrutura de forma mais equitativa.

Perspectivas para a Energia Eólica em Mato Grosso

Embora o potencial eólico de Mato Grosso seja inferior ao dos estados do Nordeste e do Sul do Brasil, existem regiões no estado com ventos adequados para a geração eólica em pequena e média escala. Especialistas do setor apontam que, com o avanço das tecnologias de turbinas eólicas de baixa velocidade de vento, o aproveitamento do potencial eólico mato-grossense pode se tornar economicamente viável nos próximos anos.

A complementaridade entre solar e eólica é especialmente valiosa: enquanto a geração solar é mais intensa durante o dia, a geração eólica pode ocorrer à noite e em períodos nublados, reduzindo a intermitência e a necessidade de backup térmico. Essa sinergia é um dos argumentos para o desenvolvimento de projetos híbridos no estado.

Bioenergia: O Diferencial do Agronegócio Mato-Grossense

Mato Grosso é o maior produtor de soja e algodão do Brasil, e essa vocação agrícola cria uma oportunidade única para a bioenergia. O estado desenvolve ativamente a cadeia de produção de biogás e biometano a partir de resíduos agroindustriais, além de explorar o aproveitamento energético de resíduos urbanos. Essas fontes oferecem energia firme e despachável, complementando a intermitência solar e eólica.

Para consumidores e empresas em Mato Grosso, o cenário energético de 2026 apresenta tanto desafios — como os gargalos de transmissão e os reajustes tarifários — quanto oportunidades, especialmente para quem investe em geração própria ou migra para o Mercado Livre de Energia. O estado caminha para consolidar sua posição como referência nacional em energia renovável, com uma matriz cada vez mais diversificada e sustentável.

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MCL

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